Após 14 anos de vício, empresário quebra narguilé e faz descarte correto no lixo: 'É um prazer momentâneo'

Jovem de MS conta que conheceu o narguilé aos 14 anos, quando fazia vaquinha para comprar essências com colegas de escola. Depois, passou a fumar diariamente e recentemente decidiu abandonar alguns vícios.

| G1 / GRAZIELA REZENDE, G1 MS


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Felipe Copat tinha 14 anos e estava no ensino médio, quando os colegas da escola faziam vaquinhas e compravam essências de narguilé. Na época, ele entrou na modinha e passou a fumar, até que se mudou de Bonito para Campo Grande, iniciou a faculdade e comprou o próprio narguilé. De lá para cá, foram 14 anos de vício e, agora, aos 28 anos, ele tomou uma decisão: quebrou o objeto e jogou no lixo.

"Eu fumava com a turma da escola, participava das vaquinhas lá em Bonito. Depois, em Campo Grande, já estava fumando todos os dias. Cheguei a experimentar cigarro também, mas, não consegui e voltei para o narguilé. Ele aparenta ser menos viciante, com uma dependência menor, só que eu fumava todos os dias e via fumantes de cigarro não conseguirem parar, porém, de narguilé sim, então, na minha cabeça era algo menos prejudicial", comentou Copat.

Conforme Felipe, no decorrer do tempo ele presenciou inúmeras campanhas falando sobre o quanto o narguilé é prejudicial. "Lembro que surgiram várias campanhas, propagandas, falando que o narguilé era equivalente a 100 cigarros por conta das toxinas, das doenças, só que no meu caso eu substitui pelo tereré. Acendia, fumava e conversava com amigos. É um processo todo para fazer ele e a gente se reunia para fumar um narguilé e conversar", comentou.

Em julho de 2018, já atuando como repórter e também músico, Felipe mudou de cidade e, mesmo diminuindo, continuou mantendo o vício. "Eu sempre fumei, mas, o que está acontecendo agora é mais por princípios do que vontade de parar. Não sinto nenhum problema respiratório, apesar de ser gordinho. Antes, eu também cantava e isso nunca atrapalhou no meu rendimento. Só que agora estou em um momento mais espiritualizado, tentando abandonar todos os meus vícios", disse.

Entre os vícios, Copat ressalta que, primeiro, deixou o mais difícil deles e está em um processo de abandonar outros. "Estou tentando largar todos eles. O primeiro eu falo que foi o mais difícil. É algo que ninguém fala, mas, foi o vício da pornografia. Depois, o narguilé e, por último, pretende deixar o vício da refrigerante, algo que tomo desde os 3 anos de idade. Precisei mudar a minha mente em relação a tudo isso", argumentou.

No caso do narguilé, Felipe ressalta que, na virada do ano, ele já tinha tomado a decisão, mas, não conseguiu parar em janeiro deste ano. "Minha meta era ter parado em janeiro, mas, foi bem difícil de largar. É um prazer momentâneo e ontem fumei meu último rosh, que é o momento em que você prepara a essência, o carvão e fica uns 40 minutos fumando. No meu caso, vou deixar de gastar de R$ 400 a R$ 500 com isso", explicou.

Um dia após passar por este processo, em que quebrou o narguilé e fez o descarte correto, Copat diz que percebeu que, em muitos momentos, descontava os problemas pessoais no vício. "Todos os dias eu fumava, colocamos motivos para isso. Agora, não estou mais na fase de pensar que o cigarro, a droga, a bebida são mais prejudiciais. Não tenho mais esse tipo de argumento. Larguei porque fazia mal e ponto. É algo óbvio, penso que estou atuando mais na igreja, me tornando referência para algumas famílias e fiz essa escolha", comentou.

Sobre o descarte correto, ele conta que aprendeu tudo isso ainda na adolescência. "Lá em Bonito, vejo que os cidadãos são bem conscientes, é uma cidade disciplinada e sempre fizeram esse descarte. Cresci aprendendo isso. Então, quebrei o narguilé, mas, coloquei tudo certinho na caixa para ninguém se ferir. Não quis nem vender, quis descartar mesmo", finalizou.



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