“Atropelou e saiu correndo”: velório de PM tem revolta e clamor por Justiça

Na voz dos amigos, o relato é de um Luciano alegre, que sempre sonhou em ser policial

| ALINE DOS SANTOS E BRUNA MARQUES / CAMPO GRANDE NEWS


Velório do policial militar acontece na manhã desta terça-feira no cemitério Memorial Park. (Foto: Henrique Kawaminami)
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Um clamor por Justiça, com uma boa dose de revolta e muita saudade. É assim o velório do policial militar Luciano Abel de Carvalho Nunes, 29 anos, morto em acidente de trânsito na madrugada de segunda-feira (dia 19).

Ontem, a professora Edeves Carvalho, 55 anos, mãe de Luciano, disse que queria que o advogado Helder da Cunha Rodrigues, 38 anos, motorista envolvido no acidente, fosse ao enterro.

Hoje, no cemitério Memorial Park, ao som do hino “Deus me deu, Deus tomou', segue ao lado do caixão do filho. Enquanto o advogado prossegue preso à espera da audiência de custódia. Por meio de familiares, ela informou que só vai falar após o sepultamento de Luciano.

Na voz dos amigos, o relato é de um Luciano alegre, que sempre sonhou em ser policial. Sobre o acidente, sobra revolta.

“O cara é um advogado, conhece as leis e mata. Atropelou e saiu correndo porque sabia o que tinha feito. Esperamos por Justiça', afirma o vendedor Valdison Motta, 21 anos.

Amigos há um ano e meio, eles estiveram juntos no sábado, encontro que hoje Valdison classifica como uma despedida. “Saímos e encontramos com todo o nosso grupo. Foi um dia feliz. Era um rapaz que respeitava a farda, sonhava em ser policial', diz o amigo.

O motorista de aplicativo Igor Batiste, 23 anos, conta que participava com Luciano de um grupo de motociclista. “Ele estava no grupo há oito meses. É uma dor que não desejo para ninguém. E foi uma pessoa da lei que fez isso com o nosso amigo', diz.

Fuga a pé  - Luciano seguia numa motocicleta Yamaha XJ6 300 cilindradas, quando foi atingido pelo Chevrolet Cobalt dirigido pelo advogado. Depois da pancada, tanto o corpo da vítima quanto o carro foram parar no canteiro central da Avenida Ministro João Arinos, na saída para Três Lagoas. O Corpo de Bombeiros foi acionado, tentou reanimar a vítima, mas sem sucesso. O policial morreu no local.

Ainda não há informação de quem furou o sinal vermelho. A Polícia Civil encontrou uma garrafa de vodca pela metade no carro do advogado. Após o acidente, Helder se apresentou como advogado para uma testemunha e, na sequência fugiu a pé. Ele foi preso momentos depois em abordagem da polícia.

O advogado foi submetido ao teste do bafômetro e o resultado foi de 0,76 miligramas de álcool por litro de ar expelido dos pulmões.



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