A matemática da piscicultura

| DOURADOSNEWS / MAURíCIO XAVIER CURY*


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Cotações

Existe uma informação que apresentamos como curiosidade científica, mas que é muito importante para se entender a piscicultura.

Uma matemática biológica, como veremos. 

Um ovo de pacu, quando sai da fêmea, pesa um miligrama. São necessários mil ovos para se somar uma grama de ovo. Nossa contagem, das estações de reprodução de peixe, é através da pesagem dos ovos imediatamente quando são retirados das fêmeas.

Chamamos este bichinho de larva. Uma larva recém-nascida, deve ter este peso aproximado: 1 miligrama.

Com um mês de vida, já é um alevino e possui 3 cm de comprimento, pesa 3 g, e é posto à venda. No prazo de um mês este peixe pesava 1 miligrama e alcançou três gramas, um surpreendente crescimento de 3.000 vezes o tamanho original. 

A reprodução é um evento que tem Safra. As desovas vão de novembro até fevereiro. Mais um mês de vida, e este Pacu já pesa 100 gramas. 

Quando chegamos no inverno, o crescimento paralisa. Este peixe resurge em outubro com 300 g, ou seja cresceu 100 vezes, desde que saiu do produtor de alevinos. 

Até a semana santa, 15 meses depois de nascido, queremos um peso de um quilo e meio, desde outubro, um crescimento de apenas cinco vezes. Desde a larva, ele cresceu 1,5 milhão de vezes.

É surpreendente, outros animais da pecuária iguais, desconhecemos. Mas cada peixe é um animal diferente, sendo que larvas de pintado são muito menores que as de pacu.

Nos primórdios da piscicultura, há 40 anos atrás, fizemos um teste de potencial de crescimento do pacu, em Jupiá, e oferecemos a algumas larvas, condições excepcionais de crescimento, que alcançaram quatro quilos em um ano. O teste foi 10 larvas em um tanque de 1000 metros quadrados, hiper adubado.

Mas como é possível que o potencial seja de 4 kg ao ano,  e até a semana santa eu conseguir um pacu de apenas um quilo e meio?

É que o potencial genético vai sendo lentamente minado pelo processo. Não se preocupe, isso é normal ocorre também na agricultura, onde o que interessa é a produção total por hectare, e não o crescimento individual. 

Outro dado pode ser mais alentador, na natureza um pacu sofre condições biológicas terríveis e só cresce 600 g por ano. Dados do Pantanal de Cuiabá.

Então em piscicultura podemos acelerar ou desacelerar o crescimento de acordo com as condições de mercado.

Outra curiosidade é que o peixe cresce a vida toda, se houver condições. Na natureza o peixe morre crescendo. Mas com acréscimos ínfimos, por fim. Diferente dos outros bichos também.

O maior pacu documentado, pesou 25 kg, vindo do rio, capturado na década  de 1940. Não quer dizer que não tenhamos maiores, principalmente relatados pelos pescadores esportivos, embora os bichos grandes encontram-se desaparecidos (percebam a antítese).

Vários híbridos do pacu ultrapassaram este peso em poucos anos, abundantemente documentados, em piscicultura. Daí a utilidade dos híbridos.

Não há praticamente pacus puros nas pisciculturas mais, só híbridos. Mas o milagre do crescimento ocorre com todos. Mas sempre muito superior na piscicultura, do que nos rios.

*Piscicultor   



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