Petistas de MS concordam em abrir mão de candidatura estadual

Pensando em se viabilizar para disputar a presidência, o ex-presidente quer ampliar alianças em troca de apoio

| GABRIELA COUTO / CAMPO GRANDE NEWS


Orientação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é para estados lançarem candidatos a governo apenas onde há viabilidade eleitoral e possível vitória (Foto Divulgação)
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O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) orientou os dirigentes partidários estaduais de evitar o lançamento de candidaturas para o cargo de governador no ano que vem se não houver nome forte para a disputa.  Conforme o jornal O Globo, a orientação de Lula, já encarada como determinação por caciques da legenda, é privilegiar alianças para a Presidência da República.

Também é de desejo de Lula privilegiar candidaturas a deputado federal, por conta da divisão dos recursos do fundo partidário e do tempo de TV. Com essa decisão, que pode incluir atém mesmo a cabeça de chapa para a vaga ao Senado, o ex-presidente vai conseguir facilidade em formar alianças para lançar seu nome na disputa ao Planalto, atraindo principalmente partidos de centro e centro-esquerda que receberiam o apoio do PT em palanques regionais.

O ex-governador José Orcírio Miranda dos Santos, o Zeca do PT, classificou o posicionamento de Lula como ‘corretíssimo’. “Já acumulamos experiência suficiente para perceber que não dá para ir a ferro e a fogo. Portanto, toda a tranquilidade, o equilíbrio e a ponderação nesse momento é de articulação pensando em 2022, mesmo estando longe e sendo cedo é bom ir pensando.'

Caso Lula saia candidato a presidente, Zeca prevê alianças com setores do centro, liberais , democráticos. “Não dá só para fazer coligação de esquerda, partidos progressistas e movimentos sociais. A gente não vai a lugar nenhum com isso. Temos que ser honesto com nós mesmo', refletiu.

A prioridade em ter uma grande bancada de deputados é o segundo ponto importante da discussão dentro do PT, acredita Zeca. “Temos que parar com essa invenção de querer disputar governo com qualquer candidatura sem nenhuma viabilidade eleitoral. Ai, ao invés de ajudar a gente atrapalha nossa candidatura natural, que é o Lula. Onde der para fazer aliança temos que fazer. Aqui no Estado estou discutindo a possibilidade de fazer aliança ao centro', revelou.

As únicas alianças que são restritas para Zeca são com o MDB e o PTB. “Só não admito aliança com André Puccinelli e Delcídio do Amaral. Esses dois não servem. Personalistas, arrogantes, mentirosos, alianças com esses dois eu tô fora. Temos que buscar nas outras candidaturas que se situarem, no PSDB, nos Trad’s (PSD), enfim, e outras a possibilidade de fazer uma aliança política eleitoralmente forte para ajudar o Lula e pra gente fazer uma bancada principalmente de deputado federal', concluiu.

Em Mato Grosso do Sul a opinião do cacique petista é praticamente unanime entre os políticos com mandato. Segundo o deputado estadual Pedro Kemp, a prioridade neste momento é derrotar o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e voltar ao poder.

“Temos que interromper este desmonte do estado brasileiro que está em curso. Devemos lançar candidaturas a governos dos estados onde temos chances de reunir apoio numa frente programática com chances de vitória. Onde isso não for possível, devemos apoiar candidaturas do campo progressista que apoiem a candidatura Lula presidente', pontuou o parlamentar.

O colega de bancada na Assembleia Legislativa, José Almi, também concorda. “Eu vejo que o ex-presidente Lula está preocupado com o povo brasileiro. Ele sendo candidato para tirar o Brasil dessa situação que se encontra tem que vencer as eleições e para isso tem que fazer aliança principalmente com os partidos de centro esquerda, como PSD, PDT, PSOL. E portando será necessário fazer concessões.'

Almi diz concordar com uma articulação responsável e sem privilégio. “Candidaturas por vaidade, onde o partido está desorganizado, tem que entregar sim a cabeça de chapa e até a chapa de senador se for necessário. Aqui, por exemplo, se não for o Zeca para governador, não tem porque ter candidatura', concluiu.

O deputado federal Vander Loubet diz que a fala do Lula vem ao encontro daquilo que ele pensa e defende. “Entendo que o PT tem que ter autonomia em cada estado para definir seu arco de alianças, até porque não vai ser possível em todos os lugares uma aliança só com partidos de esquerda, não tem como exigirmos que seja só com partido A ou B. Pelas pesquisas, a maioria da população quer o Lula presidente novamente, então se essa será a nossa prioridade não adianta acharmos que vamos vencer a eleição sozinhos. Temos que ter palanques fortes em cada estado. E nosso foco também tem que ser eleger senadores e deputados federais, exatamente como o Lula defende.'

O vereador Ayrton Araújo defende a estratégia do ex-presidente. “Estamos muito carentes de lideranças depois de todas as quedas que sofremos. Hoje não vejo outro nome para disputar o governo se não for o ex-governador Zeca do PT. Temos que estudar com os companheiros a estratégia do Lula que é a mais sábia de todas. Teremos dificuldade até para formar chapa para deputado estadual. O PT aqui começou a oxigenar para poder respirar e sair do CTI', ponderou.

Já a vereadora Camila Jara é mais otimista. “Entendo o ponto de vista do Lula, mas entendo também que estados como Mato Grosso do Sul, o partido tem tradição de disputar eleições mostrando que tem alternativa para o modelo de governo imposto. Aqui vejo a necessidade de uma candidatura ao governo tendo em vista que os outros partidos de esquerda Estado não conseguem reunir tantos  votos quanto a gente'.

Porém, ela reconhece que se houver outro nome mais expressivo, o PT pode abrir mão da cabeça de chapa. “Como eu não vejo esse cenário se desenhar eu entendo que é preciso ter nossa candidatura, mas se surgir algum nome mais forte de outro partido a gente pode apoiar.'

Para o presidente municipal da sigla, Agamenon do Prado, a composição de uma frente centro-esquerda é fundamental para o programa Ano de Reconstrução Estadual. “Estamos conversando com o PDT, PSD, PC do B e o Psol. A partir daí queremos tirar um nome, necessariamente não precisa ser do PT, mas que representa esse projeto de colocar o Brasil novamente nos patamares do presidente Lula.'

Com os diretórios estaduais cumprindo a determinação do ex-presidente em suas bases, a expectativa é que no segundo semestre seja discutido o nome da chapa majoritária em consenso com os partidos aliados.

Liderando as conversas no Estado, o presidente regional do PT, Vladimir Ferreira, defende o discurso lulista. “O que o presidente Lula defende é que nos estados não façamos aventuras, além de ganhar a Presidência da República é fundamental fazermos grandes bancadas na Câmara e no Senado. Aqui em Mato Grosso do Sul iremos fazer o dever de casa, organizar nossas chapas de deputadas e deputados,   organizar o partido e preparar uma proposta para governar o Estado e paralelo a isso discutir a construção de uma frente de esquerda  com PSB , PDT, PCdoB, PSOL, PCO , a Rede e também iremos dialogar com outras forças progressistas que queiram construir um novo projeto', destacou.

Nessa frente o PT apresentará uma pré-candidatura já sabendo que existe a possibilidade de surgir um outro nome com viabilidade política e eleitoral, que esteja alinhado com o  projeto nacional do partido.

“Aqui não temos nenhuma candidatura neste momento que se destaca, nem no nosso campo, nem no campo da direita ou centro direita, é uma eleição ainda aberta. É importante lembrar que existe um movimento de uma nova alteração na legislação eleitoral,  com relação as chapas proporcionais, o que também irá impactar as políticas de alianças', disse Vladimir.



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