Intubada duas vezes em 18 dias, dona de casa fala de gratidão e fé: 'Obrigada pelo milagre da minha vida'

Grace Andrade chegou ao hospital, em Campo Grande, acreditando estar com crise de asma. O diagnóstico foi Covid-19 e ela só saiu de lá 32 dias depois.

| G1 / NADYENKA CASTRO, G1 MS


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A dona de casa Grace Andrade, de 42 anos, é daquele tipo de pessoa que está sempre com um sorriso no rosto, com conversas que elevam, cheia de positivismo e apegada à família e crente em Deus. E para ela, a combinação dessa vontade de viver, com a fé e o atendimento hospitalar foram fundamentais para sobreviver a "32 longos dias de internação", com duas intubações.

"Eu fui um milagre. Obrigada Deus pelo milagre da minha vida!" É assim que a moradora em Campo Grande resume a gratidão após ter passado pela Covid-19, quase ter infartado e ainda ter tido problemas nos rins, tudo isso em pouco mais de um mês.

Dados de pesquisa obtidos com exclusividade pela BBC News Brasil, apontam que é alto o percentual de mortes entre os infectados que precisam de ventilação mecânica: a média foi de cerca de 80% de fevereiro a dezembro de 2020. Ou seja, 8 em cada 10 pacientes intubados ao longo do primeiro ano de pandemia morreram

Diagnóstico e internação

A luta contra a Covid-19 começou no dia 25 de fevereiro. O que Grace achou que fosse uma crise asmática era a infecção pelo novo coronavírus. E daquela ida no hospital ela só voltou para casa 32 dias depois.

"Eu estava com falta de ar. Achei que estava com crise de asma. Não tinha febre, dor, falta de paladar, de olfato. Nenhum outro sintoma da Covid. Aí me pediram raio-X, tomografia. Depois do resultado, a médica me mandou sentar e não me mexer mais e disse que iria me internar", conta Grace.

Já no hospital, a oxigenação de Grace foi diminuindo e cinco dias depois ela foi intubada pela primeira vez.

"No dia que o médico veio falar comigo [sobre a intubação], parecia uma sentença. Foi desesperador. Chorei muito. Mas o médico foi muito humano. Me acalmou, explicou: "eu estou fazendo isso pra te salvar. Então tenha fé em Deus que nós vamos te salvar fazendo isso".

E fé não faltou para ela. Dia 8 de março, quando completava 42 anos, ela foi exturbada. O que parecia estar perto da alta, foi só a primeira etapa. Ela teve um princípio de infarto e precisou ser intubada novamente. Depois, problemas nos rins agravou o estado de saúde e somente semanas depois, no fim de março, a tão esperada volta pra casa.

" O sentimento é de gratidão a Deus, aos médicos, que foram muito humanos. Todo o atendimento", agradece Grace.

Confiança

Depois de todo esse período, Grace conta que a lição que fica e que ela faz questão de passar a todos é de que é preciso ter fé, perdoar e não se apegar a pequenas coisas. "É preciso ter muita fé em Deus. Deixar as coisas pequenas de lado, porque elas são tão insignificantes... E perdoar mais as pessoas".

E para quem passa por uma situação que ela já vivenciou, o recado novamente fala de fé. "Tem que ter muita fé, muita força, vontade de viver , acreditar".

Agora, Grace faz fisioterapia para fortalecimento dos músculos e dos pulmões. Ainda não consegue andar sozinha, fazer outros movimentos e respira com dificuldade. Diante de tudo o que passou, "o milagre" que considera ser, já já a dona de casa vai poder conversar, sorrir, nadar, andar e viver como ela gosta e é capaz!

Intubação

Saber posicionar o paciente, avaliar o momento certo de intubar e extubar, e até a vazão de oxigênio no respirador, podem fazer a diferença.

"Acho que esse é um ponto central que o país perdeu - vem perdendo - uma oportunidade de implementar o que tem sido descoberto e o que tem sido mostrado que funciona. Em vez disso, fica discutindo terapias que não funcionam, que nenhum outro país adota. É fundamental que se estabeleça protocolos e recomendações nacionais para que todas as unidades, mesmo interior, mesmo nas unidades menores, tenham acesso às melhores práticas", defende Fernando Bozza, médico e pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz.

O que leva um paciente de Covid à intubação é um quadro crítico de hipoxemia, a falta de oxigênio no sangue.

Na forma grave da doença, o coronavírus chega a acometer 50, 70, 100% dos pulmões, o que compromete a respiração. Ao percorrer o organismo carregando um nível alto de gás carbônico, o sangue - mais ácido - gera impacto nos rins, fígado, cérebro, coração - um colapso sistêmico que pode ser fatal.



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