Família de jovem grávida que morreu de Covid crê em erros e estuda acionar a Justiça

| RDNEWS.COM.BR/ALLAN PEREIRA


Mikaely Karoline estava grávida de uma menina
publicidade

Após a morte da jovem Mikaely Karoline Souza, que estava grávida de uma menina de 28 semanas (sete meses) e esperava três dias por uma UTI por conta do estado grave de Covid-19 (a doença causada pelo coronavírus), a família está indignada e acredita que pode ter havido erros no atendimento prestado a ela. Eles consideram que possa ter havido negligência médica, como o atendimento inicial recebido em um posto de saúde de Sinop (a 500 km de Cuiabá) ou a demora para uma cesariana. Por isso, eles estudam uma ação judicial contra a prefeitura e o Governo.

"Deixou todo mundo chocado”, diz a irmã dela, Karolina Souza, de 18 anos, ao   sobre a perda da irmã. Ela vê que a jovem de 20 anos deixa um exemplo para a sociedade de como está a situação da pandemia de coronavírus com a rede de saúde em colapso. Não esperava que, em cinco dias, ela falecesse. Fizemos de tudo para ela ficar viva. Não só minha família, mas todos de Sinop”, disse alertando para as pessoas terem cuidado, inclusive para outras grávidas.

Karolina conta que era a primeira gravidez da irmã. Mikaely esperava uma menina, que se chamaria Eloá. "Era o sonho dela. Estava tudo preparado. Tudo mesmo. Não faltava mais nada para a criança", disse a irmã. Ela acrescenta também que a filha "era a felicidade dela" e "o que ela mais esperava no momento".

A internação

Karolina conta que, antes de dar entrada na UPA André Maggi, a irmã procurou um posto de saúde do município na manhã do dia 30 de março. "Ela já estava com muita falta de ar, mas não sei como esse médico não viu que ele estava passando mal", disse. Ela conta que o profissional receitou um xarope e recomendou voltar para casa. À noite, ela precisou ser internada na unidade de pronto-atendimento e já foi intubada na madrugada por conta da gravidade do caso.

“Ela já estava com muita falta de ar, mas não sei como esse médico não viu que ele estava passando mal”
Diz irmã de Mikaely
Com a rede de saúde em colapso, começou então a luta da família por uma UTI. No dia seguinte, o marido de Mikaely representou a mulher na Justiça para arranjar o leito, inclusive em qualquer lugar do país. Segundo a decisão judicial que concedeu a liminar (dada no início da noite de 31 de março), o quadro de Mikaely era gravíssimo e eminente de morte, conforme laudo médico. Naquele momento, a jovem já tinha sido regulada pelo Governo, que alegou não ter vaga disponível de UTI.

No início da noite do dia seguinte, dia 1º, o juiz Mirko Vincezo reiterou a decisão liminar e intimou o Governo e a Prefeitura de Sinop. “Vivenciamos um colapso no Sistema de Saúde Pública, em que a transferência de pacientes segue a disponibilidade de vagas e critérios técnicos que vão desde o estado clínico do paciente até a ordem de chegada (prioridade/gravidade)”, disse o magistrado na decisão. Naquele dia, a fila de espera de pacientes por uma vaga de UTI era de 135 pessoas.

Parada cardíaca

Três dias se passaram e, apesar de toda a movimentação para conseguir uma vaga para Mikaely, Karolina conta que o coração da bebê tinha parado, na manhã de sábado, ainda no ventre da mãe. Horas depois, a jovem também sofreu uma parada cardíaca. A irmã disse que o secretário de saúde de Sinop, que estava em diálogo com a família, garantiu que uma UTI já tinha sido disponibilizada para Mikaely e que o helicóptero com UTI móvel estaria as 17h no município. Antes disso, por volta das 16h30, o corpo médico anunciou a morte da jovem grávida para ela e o marido da jovem.

Entre as liminares concedidas pela Justiça e a morte da grávida, a família ainda não sabe o que aconteceu de verdade. Uma das médicas que fez parte da equipe que atendeu Mikaely disse para o TV Centro América de Sinop que, no momento que apareceu uma vaga para a jovem, os profissionais ficaram duas horas tentando estabilizá-la. Além disso, ela contou que o bebê precisava de uma UTI neonatal, pois a UPA não tinha estrutura para fazer uma cesariana e ainda mantê-la na unidade.

Depois da morte, ficou a indignação. Karolina disse que a família está passando por um momento muito difícil. “A indignação é grande”, disse. Ela e os demais parentes acreditam que possam ter recebido informações mentirosas e que possa ter havido erros, como o atendimento inicial recebido no postinho, que a cesariana poderia ter sido realizada assim que Mikaely deu entrada na UPA ou que a criança poderia ter sido retirada depois de constatada sua morte no sábado. Por isso, eles analisam uma ação judicial.

O que disse a Prefeitura de Sinop

No dia seguinte a morte, a Prefeitura de Sinop, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, afirma que utilizou todos os esforços possíveis para salvar a vida a jovem. Informa que, além de uma UTI adulta para Mikaely, a gestante necessitava de uma UTI neonatal. Afirma também que a alta complexidade é competência do Estado, mas em nenhum momento o poder público municipal se furtou em auxiliar e unir força a regulação estadual para salvar vida dela.



Envie sugestões de notícias para o WhatsApp do portal Itaporã news (67) 996418820

Curta nossa página: https://www.facebook.com

Clique aqui e receba notícias do Itaporã News no seu WhatsApp!

 


PUBLICIDADE
PUBLICIDADE